Conselheiras do Conjuve falam sobre a atuação das jovens mulheres no cenário a política nacional

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Nos últimos anos as mulheres têm conquistado uma ascensão muito expressiva em diversos setores da sociedade brasileira. O seu papel e o protagonismo marcantes no cenário político, por exemplo, resultou na eleição de uma mulher par a presidência da nação. No que se refere à população juvenil, essa atuação também tem proporcionado conquistas significativas e avanços na garantia de seus direitos. Atualmente, a frente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) duas jovens mulheres estão na presidência e vice-presidência do colegiado com a tarefa de conduzir as atividades de formulação, acompanhamento e proposição de diretrizes voltadas para a promoção das políticas publicas de juventude brasileira. Marcado pela diversidade, o Conselho tem uma representatividade que expressa as diferentes bandeiras e segmentos das mais de 25 milhões de jovens mulheres no Brasil. Para falar sobre o avanço e conquistas das mulheres em setores como a educação, campo, trabalho decente e participação, algumas conselheiras do Conjuve compartilharam suas análises a respeito da atual situação da agenda política e social das jovens mulheres brasileiras.

Participação
Ângela Guimarães, presidenta do Conselho Nacional de Juventude

Ainda é uma realidade no país a subrepresentação das mulheres jovens e adultas nos espaços de poder, mesmo que nos últimos anos tenhamos conseguido, por exemplo, ampliar a nossa escolarização e estar em patamares superiores aos dos homens. Entretanto, a ocupação de espaços de poder tanto diz respeito a uma cultura patriarcal que avalia que os lugares e espaços públicos são espaços “naturais” à presença dos homens, quanto a uma divisão ainda bastante desigual dos recursos no que diz respeito ao financiamento de candidaturas femininas aos diversos espaços de representação.

Os números que ostentamos no Congresso Nacional dão bem a dimensão dos desafios das mulheres nos espaços de poder. Em 2010, na Câmara Federal, de um total de 513 deputados, apenas 45 (8,8%) eram mulheres. Já no Senado, de 81 senadores, 11 (13,6%) são mulheres, com faixa etária acima de 40 anos. No âmbito dos estados a desigualdade de subrepresentação feminina se repete. Nas Assembléias Estaduais e Distrital, de um total de 1059 deputados estaduais e distritais, foram eleitas apenas 133 mulheres (12,8%). Para os governos estaduais, em 2010, foram eleitas duas mulheres (RN e MA), o que equivale a 7,4% do total.  (sem grandes alterações em relação a 2002).

Assim, está na ordem do dia a luta por uma Reforma Política que reflita a ampliação do papel das mulheres e, em especial, das jovens mulheres na sociedade, com garantia de financiamento público de campanhas, listas alternadas entre os gêneros, e debates aprofundados sobre a conquista igualdade material e de fato das mulheres na sociedade brasileira.

Inclusão social
Rebeca Ribas, Instituto Aliança

As mulheres durante muito tempo foram condenadas a não decidirem sobre suas próprias vidas. Toda a sociedade está começando a se dar conta de que é possível, sim, as mulheres decidirem seus próprios destinos.  Temos uma movimentação interessante no sentindo de dar condições para que a gente consiga fazer isso. Não adianta apenas decidir se vamos ter filhos ou não, se não tivermos condição de prevenir, de ter estrutura para isso. Não basta decidir estudar, se também não temos estrutura para isso. Contudo, hoje o Brasil está começando a dar condições para que as mulheres decidam o seu próprio destino.

Direito à creche
Carolina Alencar, Confederação das Mulheres do Brasil

Devemos proporcionar a garantia do direito à creche, principalmente para as jovens mães trabalhadoras, universitárias ou mesmo estudantes da educação básica que hoje não veem a sua trajetória com igualdade por não ter a condição de onde deixar seus filhos e filhas para que sejam educados e cuidados enquanto estão nos ambientes de educação e trabalho.

Se o pai pode sair pela manhã e trabalhar o dia inteiro, muitas vezes estudar à noite e voltar para casa, porque que as mães têm que ficar com a responsabilidade de ficar em casa, de cuidar da casa e dos filhos? Defendemos que tenhamos a mesma igualdade entre os homens e mulheres deste país.

Acreditamos e lutamos por mais creches nas cidades, escolas e universidades, para que a juventude possa estar nesses espaços de educação, profissionalizantes, trabalho e de construção da democracia. Assim, poderemos dar a oportunidade das jovens mulheres se inserirem nos espaços de poder onde são realmente tomadas as decisões da nossa sociedade.

Acesso à educação
Manuela Braga, presidenta da União Brasileira de Estudantes Secundaristas

O tema da juventude é muito significativo, um ganho econômico e social em que a educação cumpre um papel prioritário para possibilitar essas novas transformações sociais. A gente comemora os novos investimentos em educação, hoje mais certos. A gente comemora a retomada do investimento na educação técnico profissionalizante e do ensino superior. Além disso, outros programas vêm sendo protagonistas como o Projovem e o Pronatec, que é um PAC do desenvolvimento do acesso à educação tecnológica, duas políticas de muito destaque que tem uma contribuição muito grande na educação do Brasil, cuja maioria é composta por mulheres.

A gente comemora todos esses avanços na educação, mas ainda temos que avançar mais. Atualmente, a maioria dos profissionais de educação são mulheres, são pedagogas, mulheres licenciadas em diversas áreas que estão na sala de aula e que são prejudicadas pela falta de política de capacitação, de carreira e salarial para essa classe de trabalhadoras. Trazendo para a questão de gênero temos uma falta de equiparidade. A mulher, no que pesa ser a maioria do professorado, não é a maioria, por exemplo, nos cargos de direção, coordenação pedagógica, diretora e vice-diretora, mas sim os homens.

A educação precisa cumprir um papel central na formação da sociedade, principalmente no que diz respeito à questão de gênero. No Brasil não se pode tratar como uma questão menor, por exemplo, as mulheres serem maioria nas salas de aula, a maioria a concluírem o ensino, a maioria a entrarem na universidade e estarem na mesma posição em que os homens no mercado de trabalho recebendo 30% menos.

No Brasil o principal cargo do país é uma mulher que ocupa e a educação não pode continuar reproduzindo esses conceitos e opiniões machistas. Para mudar a sociedade, temos que mudar a educação, assim teremos um Brasil que seja de mulheres e de homens.

Inclusão produtiva das mulheres do campo
Érika Galindo, representante da Secretaria de Jovens Trabalhadoras e Trabalhadores da Contag

O grande debate que as mulheres camponesas do movimento sindical vêm construindo é no sentido de reconhecer o seu trabalho e, mais do que isso, formar políticas públicas e ações de governo e de movimento que garantam que esse seu trabalho reconhecido ele seja fundamentado pela lógica da autonomia econômica, social e política. Não é possível reconhecer a mulher nesses espaços de trabalho, sem ter como princípio o combate às práticas desiguais, o combate à essas relações discriminatórias.

Para construir uma pauta de inserção produtiva e econômica para as mulheres, devemos considerar os pilares do seu reconhecimento enquanto mulheres, enquanto sujeitos políticos, fundamentados no modelo de desenvolvimento que é colocado pelo movimento sindical, que é o da sustentabilidade, do fortalecimento da produção agroecológica, da garantia de alimentos saudáveis, além do reconhecimento do papel das mulheres na construção da soberania da segurança alimentar e nutricional da população brasileira.

Algumas iniciativas vêm sendo construídas em parceira com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, sempre visualizando essas dimensões. Os desafios que se colocam hoje para essas dimensões as diferentes vivências e experiência de ser mulher no campo. Hoje, quando analisamos os dados demográficos, a gente percebe que a maior parte da migração do campo para a cidade é juvenil e é feminino.

O componente geracional é um grande desafio que tem que ser colocado quando pensamos na organização produtiva das mulheres com autonomia econômica, social e reconhecimento político. Esse é um dos grandes elementos que nos desafiam hoje a pensar em uma política de organização produtiva considerando essas dimensões geracionais, étnicas, territoriais, que se colocam como fundamentais para os gestores e também para os movimentos e organizações sociais do campo.

Violência doméstica
Camila Silveira, União Brasileira de Mulheres

Uma pesquisa revela que a cada dois minutos cinco mulheres são espancadas no Brasil. Diversos tipos de agressões foram registradas em 2011 no Ligue180. 75 mil relatos de violência contra as mulheres. Destes, 60% são violências físicas, 24% psicológicas e 11% violência moral. A maioria desses casos envolve seus companheiros, cônjuges, namorados ou mulheres que se relacionaram com o agressor por mais de dez anos. Mais de 40% dos índices de violência são no inicio do processo de relação, sendo que 58% são frequências diárias e 52% têm mulheres que vivem o risco de morte. O que agrava mais ainda essa situação é que mais de dois terços dos casos são presenciados pelos filhos, são cerca de 66,1% dos casos.

Apesar das dificuldades registramos avanços, que nós temos que reconhecer, como a luta pela lei Maria da Penha. Mas vale festejar os 81 anos do voto feminista no Brasil, que também é uma forma de combate à agressão. A partir do momento em que você vota em uma mulher pelo espaço de poder e que você a coloca nesse espaço de participação política, você também está combatendo a violência física, psicológica e moral. O feminismo dá às mulheres o espaço político de poder, a luta contra o preconceito, pela emancipação do próprio corpo, ao contrário daquilo que muitos pensam, de que feminismo por feminismo é apenas uma queima de sutiãs.  O que nós queremos mesmo é a emancipação dos seres humanos, a emancipação das mulheres.

09/04/2013

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