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Jardel Neves Lopes
Adital

Você sabia que você paga imposto em tudo e qualquer coisa/produto que você compra? Que na sua vida você é direcionado/a por política do nascer ao morrer? Que por mais que você faça “bico” e diz que “não gosta de política” você é um/a passivo/a colaborador/a da política seja ela a mais corrupta possível? Culturalmente temos, por um lado, uma sociedade marcada por problemas políticos, cuja consequência está na desigualdade social (pobreza, miséria, saúde, educação, desemprego, segurança, etc.), por outro, uma grande parcela da população que é avesso a qualquer política. Entre os mais idosos, inclusive, há um conceito de que “estar político” é “estar inimigo” de alguém, não se dirigir a tal pessoa para qualquer comunicação. É, e isso não é por acaso; tem suas raízes profundas e históricas, no processo político civilizatório do País. Uma população totalmente dominada por um poder hegemônico, proletário, que se desenvolveu a partir da exploração da mão-de-obra humana e dos recursos naturais, além manter o controle da cidadania (selecionava quem podia votar pela cor e pela escolarização) só pode construir uma cultura como essa.

Enquanto cidadãos, somos seres ministeriais desde o dia que nascemos até a morte: passamos pelo ministério da identificação assim que nascemos; na sequência, precisamos receber a vacinação vamos para o ministério da saúde; assim que entramos na escola já estamos no ministério da educação; basta alcançar a maioridade e quisermos possuir um carro, passamos pelo ministério do trânsito; não começamos trabalhar sem passar pelo ministério do trabalho para tirar a carteira… Enfim, são inúmeros ministérios que, enquanto sujeitos de cidadania, nos dão um respaldo legal politicamente. Deste modo, enquanto cidadãos/ãs ministeriais geramos tributos, a mais valia a cada momento que compramos algo. Se vamos ao mercado, ao brechó, ao shopping, ao bar, pizzaria, restaurante, pastelaria, etc. Qualquer celular que compramos tênis, roupa (mesmo pagando em 10x no cartão SEM JUROS) estamos gerando impostos que podem voltar para o nosso bem estar ou ir para os bolsos corruptos das mais variadas formas (nas cuecas, nas meias, no banco, nos falsos projetos, etc.).

Todo o dinheiro (mais valia) que nós geramos a partir do nosso trabalho entregamos nas mãos de pessoas a quem nós ou a maioria da população confiou o voto na urna, na esperança de que este administre para o bem-estar da população. Mas, nem sempre isso acontece, pois é como pedir à raposa para cuidar do galinheiro. Até que uma raposa pode cuidar do galinheiro, se lá dentro tiver galinhas e galos com esporas afiadas e valentes para enfrentar a raposa. Geralmente (quem já criou galinhas sabe disso), as galinhas que têm filhotes pequenos, enfrentam qualquer predador quando sentem que seus filhotes estão em perigo. Mas, esse cuidado com a confiança que depositamos em nossos políticos é um tanto fragilizado por conta da nossa própria cultura preestabelecida, da falta de orientação e de conhecimento.

Quantas pessoas são abusadas no seu próprio direito por não saber que têm direito sobre tal situação? Quantos direitos são violados a todo instante porque o sujeito humano não sabe que o tem? É a esse tipo de assunto que chamamos de controle social, quando usamos dos nossos direitos em nosso favor, em nossa defesa. Quando exigimos transparência nos processos de gestão dos nossos recursos. Quando exigimos o direito de ser BEM atendidos na escola, na unidade de saúde ou hospital, e em qualquer espaço de gestão do bem estar social com recursos públicos, estamos exercendo um controle social dos nossos direitos. Portanto, Creche (ou Centro de Educação Infantil) não é um favor, mas um direito; vaga nas escolas não é bondade de uma direção, mas direito do cidadão; atendimento nos hospitais não é piedade de médico, mas direito garantido na Constituição. Não bastam belas convenções Constitucionais, Direitos Humanos, se esses não são controlados pela população que os utiliza. Portanto, conhecer, aprender, discutir as formas, os meios, os instrumentos de controle social é mais do nunca uma necessidade em um país com grande potencial de desenvolvimento econômico, como o Brasil. É necessária e urgente uma educação que não tenha como meta a preparação do jovem apenas para o vestibular ou para diminuir os números do analfabetismo, mas que seja também comprometida com as causas e controle social, na gestão de recursos públicos.

Está na hora de “virar a página”: voto cabresto não “cola” mais; coronelismo também já “caiu de moda”, ditadura não é modelo de política (está provado que isso não funciona); trabalho escravo também já foi “banido”. Alguém ainda está preso a esse modelo de política, de gestão? Opa!… Pare e pense! Estamos em outra época; temos outro ritmo! Estamos na época dos DIREITOS! Essa é uma conquista de muitos e, outros tantos que “tombaram” entregando suas vidas pela causa dos direitos humanos, da dignidade humana. Portanto, conhecer nossos direitos e lutar por eles é nosso DEVER.

Fonte: Controle Social. Disponivel em: <http://www.adital.com.br/jovem/noticia_imp.asp?lang=ES&img=S&cod=58214>. Acesso em: 03 de junho de 2013.

03/06/2013

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